terça-feira, 1 de junho de 2010

O VENTRE DOS CLAUSTROFÓBICOS

Neste último mês de Maio, fui surpreendido por um pastor que viajou no tempo, há 2800 anos!
O pastor Jonas estava em Jope, e foi mandado para temível e insignificante Nínive, mas os seus projetos ministeriais eram outros, suas “santas” ambições eram mais altas que as de Deus, e por isso, como um bom empreendedor, foi para onde lhe daria mais lucro: Tarsis.

Nínive não era só um lugar de malvados e desprezados, mas era também aquela cidadezinha de interior onde se enterram os ministérios. Onde não tocam grandes bandas. Onde o pastor não recebe convites para pregação, muito menos publicam seus livros. Nínive é o lugar onde os pequenos se escondem; onde os fracassados se sentem como tal.
Assim, pensava o pastor Jonas.

Em Tarsis, era diferente, era o berço da fama, da beleza (I Rs 10.22), da riqueza (Ez 27.12).
Társis era a igreja em que não precisava de um pastor de almas, mas um consultor de eventos atrativos (ops, digo, evangelísticos).
Társis era o local ideal para transformar pedras em pães, jogar-se de lugares altos e render-se aos valores cobrados pela fama.

O pr Jonas me ensinou que não quero ser um diretor de programações, e sim um diretor espiritual; não quero ser escravo de hits gospel, mas pastorear adoradores; não quero que a Boas Novas seja conhecida como a Igreja dos milagres e das causas impossíveis, e sim que há presença – verdadeira – de Deus seja sentida e vivida em sua plenitude.

Assim, passo a acreditar que o livro do profeta Jonas deve ser lido de tempo em tempo, não só pelos pecadores, mas pelos pastores-pecadores, que com certeza, este é um livro que pode salvar ministérios, porque pior que estar a caminho de Társis, e chegar lá! E por isso, nada como um ventre apertado para revelar claustrofóbicos.
Nada como um grande peixe para revelar a vontade de Deus;
Nada como um bom problema para nos manter na rota da fidelidade;
Nada como uma oração não respondida para entendermos melhor o nosso Deus;
Nada como um ventre apertado para relembrarmos o quanto é bom respirar!

Em Cristo.
Pr Arnoldo (Kiko) Machado