quinta-feira, 4 de junho de 2009

As Borracharias da Vida.

Nada como passar parte da sua vida em uma borracharia! Sim, é uma delícia todos aqueles pneus velhos, estouros estranhos, mulheres pobres (sem roupa)... e o que dizer da banheira ex-branca com uma água preta e fedorenta?! Nada pode ser melhor que passar uma tarde numa borracharia. Só uma coisa pode ser melhor: A forma que se chega até ela.
Eu conto:
Eram oito horas e vinte cinco minutos de uma gelada manhã de Junho, eu, o oficial motorista da minha esposa, tinha a árdua tarefa de deixá-la no trabalho às 8:30. Tínhamos longos cinco minutos para chegar até o Banco... se não fosse o pneu furado! O restante da história prefiro censurar para que não pense mal de mim!

Mas, de lado os “pitis” que um pneu, uma esposa e uma borracharia podem nos causar, a grande moral é pensar na imprevisibilidade da vida, ou em um português mais arcaico: As Borracharias da Vida. Você nunca sabe quando elas aparecerão ou serão necessárias.
E, diante da banheira de pneus, pensei que isso poderia ser um aviso do que será a morte. Se não programamos uma borracharia, quem o fará com relação a morte?! Quando ela bater a nossa porta e nós abrirmos, e de cara com ela veremos o – famoso – filme das nossas vidas, as coisas que deixamos de fazer, as que fizemos e não devíamos... enfim, certamente, morreremos de desgosto.

Então, se não pensamos nas borracharias da vida, nas mortes da vida... quem pensa no pós morte?! Quem de nós está realmente pronto para encontrar com o seu Deus ou deus?! Quem conta os dias para ver as mãos furadas de Jesus, ou a furada que o Diabo lhe meteu?! Quantos de nós planejamos nossa eternidade sem choro, ou com o choro da eternidade?!

Como diria o meu pai: “Pois é, temos que ver isso!” (Resposta que ele dá quando não está muito interessado no assunto!). Essa pode ser nossa resposta.
“Afinal de contas, pneus não furam todos os dias. E morrer, isso é coisa de velho e de acidentados!”.

(Silêncio para reflexão)



Em Cristo,
Kiko

Um comentário:

Manuela Malachias disse...

Incrível metáfora...
Acho que a melhor parte é o silêncio para reflexão... Muito bem colocado e indispensável após tal texto...
Borracharias não são ambientes agradabilíssimos, porém, são evidentemente necessárias.
Grande abraço, prosador!