segunda-feira, 4 de maio de 2009

A Visão dos Cegos

Eu gosto de pensar! Às vezes, perco-me em mim mesmo e sou encontrado pelas histórias da Rose. E nestes meus pensamentos alados, entrei num livro, transformado em filme, intitulado: “Ensaio Sobre a Cegueira” (José Saramago). E, com apenas o título, editei-o a minha maneira. Cria que um surto de cegueira mundial transformariam as pessoas em mais solidárias, amigas e compassivas. Que os valores visuais seriam tão desprezados que jóias e quadros de formatura não diriam mais quem era uma pessoa (ou não era!). Que a cor da pele (preta) não faria mais nenhuma diferença.
Com este coração e esta expectativa, adentrei a este mundo desconhecido e cego, e o que encontrei lá foi um pouco decepcionante, mas como em toda história baseada em fatos reais, inspirativa.

Meus pensamentos me traíram, nada da visão romântica cristã que visualizei aconteceu. O que acontece é que numa sociedade sem olhos, a ganância é a mesma; a maldade parece se multiplicar; e até mesmo os religiosos teriam explicações teológicas (idiotas) para dar, no fim de ganhar alguma coisa.
O mesmo espírito de porco dos que vêem, não se ausenta dos que não vêem. Assim, o caos mundial não está condicionado somente e exclusivamente a nossa visão, e sim a algo mais profundo.

Neste livro decompõe-se o chavão de que “Quem vê cara, não vê coração”, e também “O que os olhos não vêem o coração não sente”. E, para brilho dos olhos dos amantes dos Escritos Divinos, eternizam-se as palavras do Mestre: “Pois do coração saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios...” (Mt 15.19).
A maldade humana está ligada ao coração e a todos os lixos que depositamos lá com o passar dos anos; todos as pessoas que guardamos sem lhes oferecer perdão; todos os beijos não dados; todos os elogios calados; todos os abraços retidos...
Os dias continuam maus. Jesus diria com essa nova ênfase.

Querido leitor, o mundo não cegou ainda mais porque a igreja ainda tem a visão, porém penso se a igreja cegar também, como ficaria?!
E, se continuarmos a pensar no “olho por olho”, não ficaremos todos cegos?!
E, se continuarmos passando longe do viajante que foi atacado por salteadores, quem pagará o funeral do mesmo?!
E, se continuarmos olhando para nossos mundos, quem cuidará do mundo o qual Jesus nos mandou salvar?!

Uma única dica: Não fiquemos cegos, pois somos os olhos do mundo!

PS: Leia o livro ou assista o filme.

Kiko Machado.

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