quinta-feira, 21 de maio de 2009

O que eu não daria para...

Registro de algumas coisas que adoraria poder viver de novo.

- Viver os dias após o almoço que minha mãe “catava” meus piolhos, debaixo do sol quente de maio, e lágrimas desobedientes caíam do meu rosto, não de choro, nem de tristeza, era apenas a dorzinha gostosa de todos os fios da minha cabeça serem puxados pelos dedos especialistas da minha mãe.

- E a correção de temas da escola?! Nunca imaginei que lembraria com saudade das torturantes tardes quentes e ensolaradas, ou frias e chuvosas, que lá estava a minha mãe aos berros para que eu transformasse garranchos em palavras normais.

- O que eu não daria por aquele convite do pai às 7hs da madrugada para eu ir para as deliciosas aulas do primeiro grau. Acordava já com cheiro do café e da torrada me esperando. E esse celestial ritual se arrastou até meu segundo grau.

- E como não esquecer o futebolzinho na Praça do Mallet todos os sábados à tarde, com o pai, o Adriano e os primos. As brigas, os toques, os gols, as “torcidas”...

- Também gostaria de viver os cultos de ceia na “quarta igreja”. Uma multidão que fazia fila até fora da igreja para que pudessem pegar os elementos do rito, enquanto o som pegava sem parar e o pastor ministrava como se fosse o último culto de sua vida.

- O que eu não daria para reviver as piadas e imitações hilárias de meu irmão Adriano; as brigas dele e do Jr. no eterno duelo de futebol de Playstation; e a Ariane passando na frente da Tv para pegar alguma coisa no “camiseiro”.

- E por falar em passar na frente, como não esquecer às inúmeras vezes que eu, o pai, o Adriano e o Jr., estávamos olhando uma importante partida de futebol, ou um simples compacto de jogo, e bem na hora “h”, na corrida para bater o pênalti, na hora do lance duvidoso... a mãe passava em frente a Tv para ver o movimento da rua! (Detalhe: não há muito “movimento” por lá!).

- Puxa, e os passeios à casa da Tia Olinda?! Subindo as famosas escadas da sua casa eu me sentia gente, sentia-me na capital, sentia-me dono do mundo. Quando voltava para casa, ficava calculando quantos dias faltariam para eu subi-las novamente.

- O que eu não daria para viver novamente uma noite na praia de São Pedro, tomando sorvete, o Junior incomodando para ir embora, o Adriano de cara-feia, a Rose do Adriano louca para dançar, a mãe olhando pela janela, o pai tentando acalmar o Junior, a minha Rose sentada morrendo de sono (também) tentando se mostrar ativa, e a Ariane me tentando para irmos fazer festa em Torres, em suas palavras: “Eu pago a gasolina, só preciso de um parceiro!”.

O que eu não daria para viver um monte de coisas de novo!
A vida não anda rápido, a vida voa. Por isso, quero viver cada minuto como se fosse último... até porque eles são os últimos mesmo.

Kiko Machado.

3 comentários:

Samile disse...

...exatamente hj acordei com esse mesmo saudosismo...!!!coinscidência encontrar isso no seu blog..
"o que eu não daria para..." muuitas lembranças da infânca...huumm...daria um texto enooorme...- o tempo passa, as coisas mudam muuito..parece que até o sistema antes não era o capitalista...tínhamos nossa mãe em casa, hora do almoço, brincadeira até anoitecer...não íamos em creche, mas tínhamos vizinhos pra brincar...iii...a lista vai longee...!!!
Realmente acho que estamos envelhecendo muuito mais do que imaginamos...- mas essa é a vida, já temos histórias para contar aos nossos netos de uma realidade tão distaaantee...- "ôo tempinho bom aquele..."- hehehhe

Diego disse...

Isso me lembra daquele velho dizer "viva cada dia como se fosse o último". Mas seria ainda melhor se vivessemos cada dia como se fosse o último, e ainda lembrando da nossa salvação sabendo da felicidade que sentiríamos depois deste dia!...

ezequiel disse...

gostei cara dessa narração e o modo que você fala de sua família e como descreve cada momento fez eu lembrar dos meus dias familiar. Continue assim e que Deus te abençoe