segunda-feira, 25 de maio de 2009

CLICHÊS

Não sou adepto dos clichês, e gostaria de comprovar o meu desgosto com os mesmos:
1. Inverdades sujas com roupas limpas.
- "Deus ajuda quem cedo madruga".
Diga isso aos assíduos frequentadores das filas do SUS!
- "A voz do povo é a voz de Deus".Desde quando?! Desde a escolha de Saul como rei ou da crucificação de Jesus?!
- "Deus está no controle de tudo".
Esse é um dos mais detestáveis. Falamos isso quando perdemos o controle de tudo, e então só resta jogar a culpa para cima dEle.

2. Escritos errados.
- "Quem não tem cão, caça com gato". (Como assim?!)
Quando o certo seria: "Quem não tem cão, caça COMO gato"!.
- "Cuspido e escarrado" (Que nojo!)
Quando na verdade deveria ser a lida expressão de: "Esculpido em Carrara" (do mármore de Carrara, na Itália).
- "Cor de burro quando foge" (O burro trocaria de cor para fugir?!).
Na verdade é: "Corro de burro quando (ele) foge". (Ah, bom!).

Apesar das explicações, ainda nao dizem nada de especial e que valha para a realidade.

3. A Indignação
No meio destas mostruosidades de ditos populares, há alguns que quase me engaram e que também são a fonte de minha indignação:
"O RS não tem jeito! É assim mesmo!".
"Aqui (RS) o evangelho não tem vez!".
"O gaúcho é duro de coração, nunca haverá grandes igrejas por aqui!".

Eu não só tenho vontade de dizer "tá amarrado" (outro que detesto), como vou desamarrar!
Chega!
O Deus que atua em São Paulo, Rio, Curitiba, Flórida, Austrália... é o mesmo que atua aqui! Porém, Ele precisa de bons plantadores e regadores, pois o crescimento é com Ele. E enquanto, ficamos processando que temos um "deus gaúcho" e que ele não pode fazer nada, realmente ele não poderá, pois não estamos falando do grande Deus de Israel!

Vamos, leitor!
Vamos repensar se estamos plantando e regando...
Vamos quebrar paradigmas e rever liturgias, avisos, evangelismo, músicas...
Vamos olhar para os jovens, adolescentes e crianças!

O desafio está lançado!

PS: Claro que é bem mais fácil dizer que "Deus escreve certo por linhas tortas", mas então, você fica com esse deus vesgo, que vou atrás do Deus escritor da história.

Em Cristo,
Kiko

quinta-feira, 21 de maio de 2009

O que eu não daria para...

Registro de algumas coisas que adoraria poder viver de novo.

- Viver os dias após o almoço que minha mãe “catava” meus piolhos, debaixo do sol quente de maio, e lágrimas desobedientes caíam do meu rosto, não de choro, nem de tristeza, era apenas a dorzinha gostosa de todos os fios da minha cabeça serem puxados pelos dedos especialistas da minha mãe.

- E a correção de temas da escola?! Nunca imaginei que lembraria com saudade das torturantes tardes quentes e ensolaradas, ou frias e chuvosas, que lá estava a minha mãe aos berros para que eu transformasse garranchos em palavras normais.

- O que eu não daria por aquele convite do pai às 7hs da madrugada para eu ir para as deliciosas aulas do primeiro grau. Acordava já com cheiro do café e da torrada me esperando. E esse celestial ritual se arrastou até meu segundo grau.

- E como não esquecer o futebolzinho na Praça do Mallet todos os sábados à tarde, com o pai, o Adriano e os primos. As brigas, os toques, os gols, as “torcidas”...

- Também gostaria de viver os cultos de ceia na “quarta igreja”. Uma multidão que fazia fila até fora da igreja para que pudessem pegar os elementos do rito, enquanto o som pegava sem parar e o pastor ministrava como se fosse o último culto de sua vida.

- O que eu não daria para reviver as piadas e imitações hilárias de meu irmão Adriano; as brigas dele e do Jr. no eterno duelo de futebol de Playstation; e a Ariane passando na frente da Tv para pegar alguma coisa no “camiseiro”.

- E por falar em passar na frente, como não esquecer às inúmeras vezes que eu, o pai, o Adriano e o Jr., estávamos olhando uma importante partida de futebol, ou um simples compacto de jogo, e bem na hora “h”, na corrida para bater o pênalti, na hora do lance duvidoso... a mãe passava em frente a Tv para ver o movimento da rua! (Detalhe: não há muito “movimento” por lá!).

- Puxa, e os passeios à casa da Tia Olinda?! Subindo as famosas escadas da sua casa eu me sentia gente, sentia-me na capital, sentia-me dono do mundo. Quando voltava para casa, ficava calculando quantos dias faltariam para eu subi-las novamente.

- O que eu não daria para viver novamente uma noite na praia de São Pedro, tomando sorvete, o Junior incomodando para ir embora, o Adriano de cara-feia, a Rose do Adriano louca para dançar, a mãe olhando pela janela, o pai tentando acalmar o Junior, a minha Rose sentada morrendo de sono (também) tentando se mostrar ativa, e a Ariane me tentando para irmos fazer festa em Torres, em suas palavras: “Eu pago a gasolina, só preciso de um parceiro!”.

O que eu não daria para viver um monte de coisas de novo!
A vida não anda rápido, a vida voa. Por isso, quero viver cada minuto como se fosse último... até porque eles são os últimos mesmo.

Kiko Machado.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Ser/Ter Um Amigo

Certa feita, um dos melhores oradores e líderes do Brasil – Ed Rene Kivitz – postou em seu blog o desejo ardente de ter amigos! Isso mesmo: Amigos! Na época, pensei que poderia me candidatar, afinal de contas, imaginei, “amigos são para essas coisas mesmo!”. Sonhava que ser/ter um amigo, seria mais simples que o pirulito e a criança. Mas, a criança já era lutadora de jiu-jitsu!

O tempo decolou e ganhou a velocidade da luz, e num curto período de tempo, fiz descobertas impressionantes, entre elas a de que ele estava certo!
Por isso, comecei a pensar nos amigos que deixei (ou perdi) pelos altos ares de minha vida, e tenho concluído que conhecidos são muitos, mas amigos... fazem uma falta incrível.

Aqui registro alguns que deixei/perdi pelo caminho:
- Infância: Rafael, Edinho, Adriano e Roger...
- Adolescência: Antonio, Nego, Cid e Nilton...
- Juventude: Luciano e Marcelo.
- Adulto: Adriano, Pr Mauro e Pr Ailton.
(Deixei de fora os mentores, pois são mais que amigos, são ídolos: Pai, Pr Roosevelt, Pr Baier e Pr Pedro).

Sinto falta de qualquer um deles, do egocentrismo exagerado do Rafael, ao humor estranho do Pr. Ailton. Das histórias do Antonio a inteligência do Marcelo. Da parceria para bobagens do Nego ao constante estresse do Nilton.
Hoje, também preciso de amigos, pois aprendi que amigos são aqueles que:
1. Tem várias razões para deixar de ser mais seu amigo... e mesmo assim, continua sendo o melhor;
2. E também, é aquele que ouve seus pecados, ri e comenta deles, e depois tenta ajudar.

“Amigo” leitor, cultive amigos, invista em pessoas! Seja/Tenha amigo! Num futuro, não muito distante daqui, eles farão uma falta danada.

Kiko Machado

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Sem Comentários

Inicio essas palavras depois de muito pensar e desejar intensamente algo que fosse alado. Gostaria muito de escrever, mas nada me é presenteado pela tal inspiração.
Então, resolvi escrever sem ela mesmo!
Resolvi escrever versos soltos e descompassados;
Palavras amontoadas;
Poemas sem rimas;
Mensagem sem tema.
Decidi inovar nos contos e levar a lugar nenhum (assim como muitos que lemos, e franzimos a testa para mostrarmos que somos intelectualizados por estar “entendendo” algo que ninguém entendeu!).
Optei por juntar caracteres que não servem para nada, pois faltam-me os mesmo para dizer o tudo que gostaria!

Tentei falar do tempo, mas só via nuvens escuras sobre mim...
Pensei em criminalidade, mas não tive tanta coragem assim, porque seria muito tentador falar em morte...
Possibilitei comentar futebol, mas nada mais tem para se falar do campeão de tudo...
Então, com cenho fechado e lábios mordidos, comecei escrever sobre hipocrisia, fome, desigualdade social, desemprego... logo deixei de lado, pois esses assuntos não são relevantes fora de época de eleição...

“Não me resta mais nada!!!” – Bradei aos quatro ventos por estar tão oco de sentimentos. E foi então que me veio a saída, a luz no fim do túnel. O assunto pelo qual respiro: Igreja!.... Mas, eu teria que falar de pessoas endiabradas que ocupam cargos de importância em igrejas importantes, e sabendo que me chamariam para um canto para me disciplinar e enfiar seus dedos sujos de enxofre em minha cara, resolvi me calar. (Prefiro passar alguns dias pensando que eles não existem). Enfim, a luz no fim do túnel era um trem desgovernado!

Então, para terminar este amontoado de suspiros palavriais, resta-me apenas e tão somente uma aplicação para o texto:
- Quando não tiver o que escrever, escreva sobre tudo que gostaria de falar!

Em Cristo,
Kiko Machado.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A Visão dos Cegos

Eu gosto de pensar! Às vezes, perco-me em mim mesmo e sou encontrado pelas histórias da Rose. E nestes meus pensamentos alados, entrei num livro, transformado em filme, intitulado: “Ensaio Sobre a Cegueira” (José Saramago). E, com apenas o título, editei-o a minha maneira. Cria que um surto de cegueira mundial transformariam as pessoas em mais solidárias, amigas e compassivas. Que os valores visuais seriam tão desprezados que jóias e quadros de formatura não diriam mais quem era uma pessoa (ou não era!). Que a cor da pele (preta) não faria mais nenhuma diferença.
Com este coração e esta expectativa, adentrei a este mundo desconhecido e cego, e o que encontrei lá foi um pouco decepcionante, mas como em toda história baseada em fatos reais, inspirativa.

Meus pensamentos me traíram, nada da visão romântica cristã que visualizei aconteceu. O que acontece é que numa sociedade sem olhos, a ganância é a mesma; a maldade parece se multiplicar; e até mesmo os religiosos teriam explicações teológicas (idiotas) para dar, no fim de ganhar alguma coisa.
O mesmo espírito de porco dos que vêem, não se ausenta dos que não vêem. Assim, o caos mundial não está condicionado somente e exclusivamente a nossa visão, e sim a algo mais profundo.

Neste livro decompõe-se o chavão de que “Quem vê cara, não vê coração”, e também “O que os olhos não vêem o coração não sente”. E, para brilho dos olhos dos amantes dos Escritos Divinos, eternizam-se as palavras do Mestre: “Pois do coração saem os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios...” (Mt 15.19).
A maldade humana está ligada ao coração e a todos os lixos que depositamos lá com o passar dos anos; todos as pessoas que guardamos sem lhes oferecer perdão; todos os beijos não dados; todos os elogios calados; todos os abraços retidos...
Os dias continuam maus. Jesus diria com essa nova ênfase.

Querido leitor, o mundo não cegou ainda mais porque a igreja ainda tem a visão, porém penso se a igreja cegar também, como ficaria?!
E, se continuarmos a pensar no “olho por olho”, não ficaremos todos cegos?!
E, se continuarmos passando longe do viajante que foi atacado por salteadores, quem pagará o funeral do mesmo?!
E, se continuarmos olhando para nossos mundos, quem cuidará do mundo o qual Jesus nos mandou salvar?!

Uma única dica: Não fiquemos cegos, pois somos os olhos do mundo!

PS: Leia o livro ou assista o filme.

Kiko Machado.